o homem que tocou e foi tocado

Estas foram as palavras que J. escreveu cerca de vinte e quatro horas depois de ter recebido uma chamada nestes termos: «Eres JGB? Eu sou a mulher que viajou de Puerto Rosário a Madrid ao teu lado no avião no dia 7 de Setembro. Peço-te desculpa se isto for impertinente, e se assim for terminamos já o contacto.  Mas espera, retorquia, como te chamas? Donde és? E eu prosseguia, como se o meu nome e o meu poiso geográfico fossem meras questões acessórias. Lá me apressei a balbuciar um nome, uma cidade, com medo que pudesse ser neutralizada antes de fazer o enquadramento do que me tinha trazido àquele instante, precisamente àquele instante que foi o culminar de uma aventura, destas que os argumentistas de cinema deitam cá para fora e se imortalizam e se alastram pelo mundo.  A questão, ia eu dizendo num castelhano trôpego, é que senti uma necessidade imperiosa de te contar a minha versão de uma história. As pessoas vêem filmes e lêem romances mas esquecem-se de viver as suas histórias e de honrar as suas histórias e eu não quero ser assim. Não quero passar a minha vida a cometer essa falta. E para ti, houve alguma história?»

Durante uma semana, ou talvez menos, foram contadas histórias sobre histórias; J. afirmou ter reconhecido as  características da minha alma na conformação das minhas mãos, dos meus dedos. Confessou ter espreitado a minha escrita, tentanto destrinçar um idioma, uma pista. Houve, de facto duas histórias que se cruzaram. Na sua voz cava que tanto me tocou chegou a dizer-me que não tinha medo de se enamorar de mim, e que sabia muitas coisas, que via muitas, muitas coisas. Coisas sobre as quais não se deve falar por telefone. Nessa tarde cinzenta de domingo conversámos durante horas… Depois desapareceu, e, com ele, um pouco de mim. A incompreensão desse desaparecimento súbito e sem sentido obrigou-me a megulhar no absurdo, a conhecer um pouco mais do meu avesso, a faser perguntas às nuvens e a agradecer à vida o facto de ter conseguido contar a esse homem uma história mágica. Sei que foi mágica porque percorri muitos labirintos até conseguir encontrá-lo, e porque ouvi o seu riso, e porque, quando terminou a primeira das nossas conversas, disse-me isto: «Agora vou ter que ficar aqui sentado mais um bocado à espera que os pelos dos meus braços voltem a descer. Não imaginas o quanto isto me arrepiou.» Fica uma homenagem a JGB pelo som da sua voz e do seu riso, por tudo quanto me ajudou a descobrir do que me habita.

Madrid     19-09-2008, 19:35
 
Hola ——- , que sorprendente!! Imagino que seguir los impulsos que te marcaron tus ¨sentimientos¨ ha debido de ser una tarea complicada hasta dar con mi telefono. Fue muy agradable hablar contigo ,a pesar de no conocerte te senti cercana , a pesar de no conocerte te senti vulnerable , a pesar de no oir tu voz te escuche . Que burrada. No ocurre siempre. Puede que si te conozca un poco , algo me dice que conozco partes de ti , quizas sentimientos que ni tu conozcas ,quizas zonas donde no estuviste……quizas solo conozco hasta donde tu me dejaste conocer.Te hablo de ese espacio en el cielo que compartimos durante dos horas y media , donde te observe escribir ,donde te observe recoger tus pies sobre la butaca , donde observe tus uñas de los pies pintadas de rojo,donde observe tus manos con las uñas arregladas , donde comparti una siesta contigo. No comparti una mirada contigo hasta que te di la maleta , no recuerdo tus ojos fue todo muy rapido . Mientras estuviste sentada no pudimos cruzar nuestra mirada aunque yo lo intente varias veces. Tus amigas me llamaron la atencion por la manera tan linda que tuvieron de despedirse , aun a ti no te habia visto,  fue mas adelante cuando paseabas con tu maleton por el pasillo del avion, tan fragil y tan dura buscando tu asiento. Gracias por no despertarme para ir al baño. Quizas fui yo quien provoco esta reaccion tuya , hace tiempo utilizaba y controlaba mas estas situaciones pero realmente siento que hubo dos viajes , el del avion y el nuestro. Yo no siento que hiciera algo con intencionalidad , mas bien fue la curiosidad quien me guiaba para una y otra vez interesarme por ti. Si escudriñe todo tu cuerpo , si observe tus movimientos tus posturas, si notaba que no me importaba nada de lo que ocurria en el avion .
Que magico ,,,,,,,,,, me alegro haber hablado contigo , da gusto encontrarse gente que hace lo que quiere no lo que le dicen.  Ultimamente me siento saturado de estar rodeado de tanta mascara , parece Carnavales todo el año , me agota tener que utilizar la mia tan amenudo  . Necesitaba un poco de vulnerabilidad a mi alrededor , Por este motivo te doy las gracias. Por ofrecerme parte de tu vida sin conocerme , por arriesgarte.
Te contaria mil cosas y ninguna , tantas cosas que te aburriria y ninguna porque siento que puedo hacerte daño , que puedo hacerme daño. No me asusta pero si me tomo mi tiempo , no tengo prisa .
No te preocupes por el castellano , puede ser divertido tu escritura. El portugues no lo conozco , si prefieres ingles prueba , me defiendo. Puedes mezclar todos los idiomas que sepas escribir, puedes hacer lo que quieras pero por favor escribeme , me apetece oirte.
Quizas no me hablaste porque no debias haberlo hecho ,puede que algo te impidiera hacerlo . Sea lo que sea no tengo que perdonar nada , tambien podia yo haber hablado y no lo hice.
 
Un abrazo.

jgb


2 Respostas to “o homem que tocou e foi tocado”

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    • é que realmente não podias ter mais razão. como é que é possível, assim do nada, dizer-se tudo o que dizes desse lado…? está quase, e depois de onze meses já deveria ter a história cozinhada! hehehehehehehehehehehe

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