dois mil e catorze soma sete, e há momentos. Momentos

a partir dos quais não só tudo se transforma como começamos a fazer parte de tudo o que se transforma, e isso acontece com uma força arrasadora. As palavras com que sempre se escreveu desaparecem e ressurgem de formas desconcertantes, com novos pesos, novas sombras, novas cintilações. Para dizer a verdade o que surge é mais como um silêncio que ruge por espaços outros. Coisas que desaparecem por entre as mãos da gratidão porque já foram cumpridas, como as chuvas, os beijos, as colheitas, as confidências ou a sucessão dos dias e das noites, ou como algo maior que dança perante nós num movimento destituído de culpa ou privação. Num momento a mente pensa: é preciso desaprender. Noutro, sem pré-aviso, o ser abandona-se às ondas da vida e tudo passa a ser novo, deixamos de caber onde sempre-nos-vimos-sempre-nos-viram, desaparecem todas as miragens e resta apenas a possibilidade de amar e o absurdo de todas as criações da mente e da memória e do futuro, resta apenas ser, resta somente o pulsar do desconhecido e um sentimento novo que vai crescendo caleidoscopicamente até ao infinitamente pequeno, até ao infinitamente grande como dizem as frases do Tao, e é preciso viver de-verdade, pronto, viver mesmo-de-verdade, o que quer que seja.

Anúncios

~ por lisadeoliveira em Terça-feira, 14 Janeiro, 2014.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: