fifty-fifty, se não enlouquecermos de vez

O fifty-fifty é uma abstração do homem moderno, coisa puramente mental.

Quando eu navego solitariamente pelos abismos que me couberam, ou quando morro, ou dou à luz, ou me transfiguro num orgasmo, ou alimento do meu seio um ser chegado de novo, não posso, não sei como partilhar fifty-fifty essas forças da natureza que acontecem por dentro do que sou. Apenas posso abraçá-las. Abraçar o medo, abraçar o êxtase, abraçar a dor, abraçar a minha medida única de paz e de desconhecido.

É esta reverência de um abismo perante outro que tanto falta no sentir dos afetos fifty-fifty.

Passei muitos dias a viver a ilusão terrena do fifty-fifty-por-amor, do igual-para-igual, e o que sobrou de tanto viver foi a certeza de ter sido invisivelmente devorada, e de que lamentavelmente ninguém nos fala sobre as coisas que realmente contam: o amor, a morte, o sofrimento, as ruínas do ser verdadeiro que agonizam sob os dias que vão ficando uns atrás dos outros. em fila. Para sempre se não enlouquecermos de vez. Para sempre  se não nos sentirmos despedaçar de vez.

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~ por lisadeoliveira em Domingo, 22 Setembro, 2013.

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