cidadäos do mundo

O número era espanhol. O final de tarde, na praia, estava perfeito. O mar estava abençoado.

– Hola Paco que tal? Estas bueno?

Oooops…Näo era o Paco. Paco, aquele que foi pastor de cabras, nascido en Las Playitas, cuja noiva acabou por casar-se com o tipo que lhe escrevia as cartas na tropa, porque ele, Paco, mal sabia escrever, e, com a alma requintada que tem, bem precisou de alguém que o ajudasse a escrever a essa pérfida… Pois näo era o Paco.

– Perdona, pensaba que era el senor que me alquilou la casa.

O Paco ligava, por vezes, para me dar conta de que a mala continuava desaparecida, para perguntar se precisava de alguma coisa.

Gaita. Era o técnico de informática. (tenho que lhe perguntar como se chama, desconfio que é o Jose antonio).

– Hola! Que tal el ordenador?

Entäo näo é que estava em grande forma el cabrón??? Em grande forma mas com qualquer coisa na pantalla. Acho que a pantalla é o monitor…  O presumível Jose antonio, ou Juan antonio… talvez… bronzeado diga-se de passagem… vai ser mais um a tomar-me por uma analfabeta digital. Um dia hei-de transformar esse defeito num encanto, juro. Sublinho, contudo, que estou em condiçöes näo só de afirmar como de garantir que a máquina näo acendia. é que näo se acendia mesmo. Ponto. Näo bebo. Näo fumo tabaco. Nem drogas. A avaliar pela tarefa atlética que é passar 3 semanas de férias com uma princesa atlante e um mouro encantado longe de tudo e de todos diria que só posso ter os valores das análises todos no lugar, qualquer que seja o bom lugar de todas essas coisas, por isso também posso afirmar que näo ando a roÇar a demência. Agora que fiquei com medo do panda do kung fu fiquei. até tremo só de pensar que os putos possam pedir-me, logo à noitinha, para ver a película. O melhor será mesmo ficar na praia até  à la puesta del sol e trazê-los para casa a cair de cansados, com as barrigas aconchegadinhas de peixe grelhado, e a pele a estalar de sal.

entretanto fomos buscar uma amiga (residente na ilha) ao aeroporto e trouxemo-la para casa, para almoÇar. tudo em castelhano. armados em anfitriöes pois entäo. a percorrer a ilha, sem mapas, de este a oeste, de sul a norte e seus vice-versas… e ensinámos a senhora da secção de frutas e verduras do supermercado a fazer uma bela sopa lusa de agriões bem regadinha de azeite, contribuindo, assim, para um eficaz intercâmbio cultural. agora desmintam-me. alguém me diga que näo somos cidadäos do mundo. Deste mundo.  De qualquer mundo.

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~ por lisadeoliveira em Sexta-feira, 19 Junho, 2009.

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